Melhores filmes em cartaz (atualizado constantemente)

1) “Arábia”: Maravilhoso. Sensibilidade ímpar. A vida de um trabalhador lutando, a cada dia, por sobrevivência (um lugar para dormir e algo pra comer, literalmente). As condições miseráveis, a falta de direitos trabalhistas, a falta de perspectivas, a ingenuidade quanto à vida, a falta de vínculos fortes e, principalmente, a falta de um olhar para si, de um processo de subjetivação. Ao receber a sugestão de escrever sobre si, este processo é inaugurado. Após “perder” a única pessoa q amou (não conseguem sustentar certa morte), o protagonista mergulha numa melancolia sem retorno. Ao final, a frase do filme: “Parei de ouvir o barulho das máquinas, e então ouvi meu coração pela primeira vez.” Preciso, tocante e imperdível, o melhor filme brasileiro deste ano.

2)”Deixe a Luz do Sol Entrar”: Obra-prima. Roteiro do mais alto nível, de dar inveja até em Woody Allen. A diretora Claire Denis (ex-assistente de Wim Wenders) mira à perfeição na dor e no vazio de uma mulher de 60 anos (Juliette Binoche, lindíssima), numa insana busca por um novo amor. A premissa soa piegas, mas a descrição dos personagens – sempre maniqueísta – e os diálogos cheios de sutilezas e complexidades trazem excelência ao drama sobre desencontros. Um dos melhores roteiros dos últimos anos.

3) “O Insulto”: Obra-prima. Um incidente banal entre 2 homens (um cristão e um palestino) é vivido como insulto por um deles, e a neurótica questão acaba tomando proporções inimagináveis, expondo as gigantescas feridas político-religiosas no cotidiano do Líbano. O diretor Ziad Doueiri monta a história à perfeição, transmitindo o clima de progressiva tensão e a perda dos objetivos iniciais da contenda. Excelentes atuações, discussão complexa colocada de forma sofisticada pela direção. Merecia o Oscar de Filme Estrangeiro.

4) “Ciganos da Ciambra”: Excelente. Ritmo intenso, marcado pela câmera frenética. A história de uma família cigana e suas contravenções, protagonizada por um menino (Pio) q, ainda adolescente, já se lança numa vida de adulto e nos riscos de seus roubos, inspirados no irmão mais velho, idealizado. Em paralelo, os preconceitos entre as etnias (africanos, italianos, ciganos).Ritos de passagem, ética e desamparo são discutidos de forma inteligente e angustiante.

5) “Severina”: Muito bom. Coprodução Brasil/Uruguai sobre uma jovem mulher q rouba livros de uma livraria, até q o dono se interessa por ela. A beleza, charme e infantilidade num todo de sedução histérica (por vezes levemente perversa) tornam-se irresistíveis. Apesar desse universo colorir a vida do livreiro, a mulher é ainda “apenas” função de sonhar (será eternamente assim?), não é mulher por inteiro.

6) “Uma Mulher Fantástica”: Muito bom, especialmente pela ótima atuação da protagonista transexual, Daniele Vega, q segura o filme. O diretor, no entanto, patina várias vezes na construção da trama, como em 2 cenas surrealistas, desconectadas da linguagem adotada no restante do filme. Não merecia tanto, ao ganhar o Oscar de Filme Estrangeiro.

7) “O Anjo Exterminador” e “Hiroshima Meu Amor” (na Mostra “Carta Branca”)

 

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