Melhores filmes em cartaz (atualizado constantemente)

1) “120 Batimentos por Minuto”: Incrível. Ritmo frenético construído à perfeição pelo diretor Robin Campillo (roteirista do excelente “Entre os Muros da Escola”). Tudo no filme é milimetricamente orquestrado pela direção a fim de nos transmitir a urgência dos soropositivos no início dos anos 90. A história é uma ficção sobre fatos reais: a luta política do grupo ativista “Act Up” em Paris pelos direitos de acesso rápido a novos tratamentos contra os efeitos do HIV. O nível das discussões nas reuniões semanais do grupo é elevado e anti-burocrático – ratificando, eles têm urgência -, então até as palmas são substituídas por dedos estalando, para não perder tempo de discussão, tempo de vida. Não há tempo para discutir se deveríamos pronunciar a palavra “viado”, ou “gay”, ou “homossexual”. A única palavra é “sobreviver”.

2) “O Insulto”: Obra-prima. Um incidente banal entre 2 homens (um cristão e um palestino) é vivido como insulto por um deles, e a neurótica questão acaba tomando proporções inimagináveis, expondo as gigantescas feridas político-religiosas no cotidiano do Líbano. O diretor Ziad Doueiri monta a história à perfeição, transmitindo o clima de progressiva tensão e a perda dos objetivos iniciais da contenda. Excelentes atuações, discussão complexa colocada de forma sofisticada pela direção. Merece o Oscar de Filme Estrangeiro.

3) “Com Amor, Van Gogh”: Excelente! 100 pintores desenharam esta obra, contando a história real e as especulações sobre a morte de Van Gogh. O estilo de pintura é como se o próprio artista tivesse realizado esta animação; além disso, a história é ambientada nos cenários dos quadros do holandês. Extremamente triste, o filme enfatiza a solidão e a culpa crônicas de Van Gogh. Imperdível.

4) “Verão 1993”: Excelente. Atuações incríveis das 2 crianças protagonistas, num filme extremamente delicado. A história de uma menina q acaba de perder a mãe (além do pai já ser falecido) por conta de AIDS. O tio, sua esposa e filha a acolhem como nova integrante da família, muito amorosamente. A diretora Carla Simón apresenta-nos a processualidade elaborativa da perda, detalhe por detalhe. A raiva da menina é assimilada por todos como “continente” (conceito de Bion, psicanalista britânico) emocional. O flerte com os limites lembra a adoção de “O Garoto da Bicicleta” (dos irmãos Dardenne), e o abraço de exaustão remete a “Aos Treze” (clássico sobre adolescência). Emocionante, sem pieguice.

5) “Sobrenatural – A última chave”: Excelente! Onde James Wan (o grande nome da atualidade do cinema de terror) está presente – seja como diretor, produtor, roteirista, criador ou montador -, o cinema ganha alto nível de qualidade (“Invocação do Mal”, “Annabelle”, etc). Este novo filme é um dos melhores – roteiro inteligente, surpresas e sustos. Para os fãs do gênero, imperdível.

6) “Visages, Villages”: Ótimo. Lindo ensaio fotográfico em cidades do interior da França, levando arte e dignidade ao cotidiano mais banal possível, enaltecendo a história de trabalhadores comuns. Um doc à la “O Fim e o Princípio”, de Eduardo Coutinho. Uma grata surpresa o Oscar indicar um filme assim entre os 5 documentários de 2018.

7) “The Square – A arte da discórdia”: Muito bom. O diretor sueco Ruben Östlund (do ótimo “Força Maior”) ousou bastante, ganhou a Palma de Ouro em Cannes e concorre ao Oscar de Filme Estrangeiro. A quase sempre fina ironia sobre nossas bolhas defensivas anti contato humano – o Quadrado – é transmitida e esticada ao limite, através de situações de tensionamento entre ricos e pobres, entre adultos e crianças, chefes e subordinados, homem e mulher, humano e animal. “Quantas tragédias são necessárias para agirmos fora do quadrado?” – pergunta o diretor, q tb questiona a distância e a frieza suecas. Não é brilhante como “A Grande Beleza”, mas consegue bem transmitir seu questionamento (como na cena da excelente obra de arte onde uma enorme pilha de cadeiras balança, balança, depois ouvimos um estrondo sem q as cadeiras caiam).

8) “Dunkirk”: Interessante. Fotografia de alto nível e, como nos outros filmes de Christopher Nolan, um clássico jogo de idas e vindas cronológicas. A história da guerra atrai o espectador, apesar da pegada excessivamente hollywoodiana sobre os heróis ingleses.

 

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