Melhores Filmes em Cartaz (atualizado constantemente)

1) “Assunto de Família”: Excelente!! Sensibilidade ímpar, beleza rara. O retrato de uma “família”, onde o afeto é o protagonista, e os adultos ensinam “o q sabem”, para além das óbvias implicações educacionais para as crianças. Muito para além do maniqueísmo do politicamente correto, o grande diretor japonês Hirokazu Kore-Eda (do duríssimo e também excelente “Ninguém Pode Saber”) apresenta um drama inequivocamente comprometido com as verdades do submundo da miséria, as leis do cotidiano q vive a despeito de políticos, policiais e assistentes sociais. A transgressão aqui corresponde não apenas ao risco, a um posicionamento na contracultura, ou a uma glamourização do poder vivenciado pelo transgressor, mas sim a uma saída pró-Eros, uma resistência sem retóricas, uma assunção do afeto como lei central, custe o q custar (como a discussão de Almodóvar em “Fale com Ela”). Atuações brilhantes, imperdível. Ver mais no post “Só o Afeto Interessa (‘Assunto de Família’)”, aqui neste blog.

2) “Guerra Fria”: Muito bom. A história de um músico e suas utopias, e uma cantora q vai de camponesa a celebridade. Durante as tensões do pós-guerra na Polônia stalinista, os dois conduzem suas carreiras, paixão e aprisionamentos políticos. O clássico, trágico e belo encontro de um obsessivo com uma histérica, Um Romeu e Julieta freudiano, muito bem filmado pelo diretor Pawel Pawlikowski, vencedor do prêmio em Cannes.

3) “A Mula”: Muito bom. Clint Eastwood visita sua longa carreira, como se fosse uma continuação melhorada de “Gran Torino” (um pouco superestimado). Expõe alguns auto-clichês – ex-veterano de guerra, incapaz de lidar com a vida de civil em família -, porém com qualidade e ótimos tons de humor. Apesar do final piegas, com certeza vale conferir mais esta despedida deste excelente ator e muito bom diretor.

4) “Nós”: Bom. Ideia extremamente interessante, porém o produto final não alcança o nível do projeto.

5) “A Esposa”: O filme começa excelente, com humor à moda britânica, mas aos poucos cai vertiginosa e vergonhosamente num plágio de “Monsieur & Madame Adelman”. Glenn Close está muito bem, porém não chega a uma atuação incrível.

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