Melhores filmes em cartaz (atualizado constantemente)

1) “Deixe a Luz do Sol Entrar”: Obra-prima. Roteiro do mais alto nível, de dar inveja até em Woody Allen. A diretora Claire Denis (ex-assistente de Wim Wenders) mira à perfeição na dor e no vazio de uma mulher de 60 anos (Juliette Binoche, lindíssima), numa insana busca por um novo amor. A premissa soa piegas, mas a descrição dos personagens – sempre maniqueísta – e os diálogos cheios de sutilezas e complexidades trazem excelência ao drama sobre desencontros. Um dos melhores roteiros dos últimos anos.

2) “O Insulto”: Obra-prima. Um incidente banal entre 2 homens (um cristão e um palestino) é vivido como insulto por um deles, e a neurótica questão acaba tomando proporções inimagináveis, expondo as gigantescas feridas político-religiosas no cotidiano do Líbano. O diretor Ziad Doueiri monta a história à perfeição, transmitindo o clima de progressiva tensão e a perda dos objetivos iniciais da contenda. Excelentes atuações, discussão complexa colocada de forma sofisticada pela direção. Merecia o Oscar de Filme Estrangeiro.

3) “Um Lugar Silencioso”: Ótimo. Suspense/terror em alto nível. Numa espécie de apocalipse, uma família busca sobreviver no absoluto silêncio (criaturas predadoras são hipersensíveis ao som). A trama, apesar de alguns clichês americanoides, é muito bem construída, e o clima de tensão é sustentado à perfeição, a ponto da plateia tentar não fazer barulho, literalmente. Imperdível.

4) “Visages, Villages”: Ótimo. Lindo ensaio fotográfico em cidades do interior da França, levando arte e dignidade ao cotidiano mais banal possível, enaltecendo a história de trabalhadores comuns. Um doc à la “O Fim e o Princípio”, de Eduardo Coutinho. Uma grata surpresa o Oscar indicar um filme assim entre os 5 documentários de 2018.

5) “Três Anúncios para um Crime”: Muito bom. O diretor Martin McDonagh já tinha apresentado seus ótimos traços à la irmãos Coen e Quentin Tarantino no excelente “Sete Psicopatas e um Shih Tzu”, quando tb trabalhou com os mesmos Woody Harrelson e Sam Rockwell (Oscar de Coadjuvante, super merecido), em outra excelente atuação. “Três Anúncios” é um filme q discute a banalização da violência, enquanto única linguagem possível num cotidiano típico duma pequena cidade sulista nos EUA. As relações viciosas entre mãe e filhos, maridos e esposas, chefes e subordinados, são expostas com extremo apuro subjetivo. Frances McDormand atua muito bem (o papel lhe rendeu o Oscar de Melhor Atriz), apesar de ter um certo tipo de personagem já um tanto parecido com outros em sua carreira. O únicos poréns do filme são algumas coincidências inverossímeis, e o personagem de Peter Dinklage (o anão de “Game of Thrones”), sempre em cenas desnecessárias e destoantes.

6) “Severina”: Muito bom. Coprodução Brasil/Uruguai sobre uma jovem mulher q rouba livros de uma livraria, até q o dono se interessa por ela. A beleza, charme e infantilidade num todo de sedução histérica (por vezes levemente perversa) tornam-se irresistíveis. Apesar desse universo colorir a vida do livreiro, a mulher é ainda “apenas” função de sonhar (será eternamente assim?), não é mulher por inteiro.

7) “Uma Mulher Fantástica”: Muito bom, especialmente pela ótima atuação da protagonista transexual, Daniele Vega, q segura o filme. O diretor, no entanto, patina várias vezes na construção da trama, como em 2 cenas surrealistas, desconectadas da linguagem adotada no restante do filme. Não merecia tanto, ao ganhar o Oscar de Filme Estrangeiro.

8) “Em Pedaços”: O diretor cult Fatih Akin (da obra-prima “Tschick” e do excelente “Contra a Parede”) traz uma história contundente de uma mulher – Diane Kruger, Cannes de melhor atriz por este filme -, q perde marido e filho num ataque à bomba. A trama é bem desenvolvida, porém não apresenta grandes novidades. A parte realmente interessante do filme é a angústia da protagonista em como encaminhar sua dor/indignação: suicídio? Homicídio? Apostar no caminho jurídico?

 

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