“Primaveras Escuras”, desejo e réquiem

Seguramente um dos melhores filmes do Festival do Rio 2014.

Descobrir um diretor deste porte já valeria a maratona. Anotem o nome de Ernesto Contreras, vale conferirmos outras de suas obras, pois seu talento transcende esta criação.

O elenco é soberbo, e dirigido à excelência.

O filme é conduzido levando o espectador a se fixar no limite do trágico. O diretor tensiona um homem (casado) e uma mulher (com filho pequeno) a uma proximidade/tesão q nunca chega às vias de fato. Potência de vida e de morte, os protagonistas experimentam sua ambivalência emocional num jogo duplamente histérico de gato-e-rato, onde a sexualidade baliza os desejos, permitindo algum contorno que norteie seus hesitantes movimentos.

A chegada da primavera e a de uma “máquina de xerox” barbarizam as significações clássicas, numa toada de réquiem para os sonhos estereotipados. Sem clemência.

“Iminência” é a palavra forte deste filme magistral.

Como diria a metáfora de “O Ódio”, de Mathieu Kassovitz: “Até aqui tudo bem, até aqui tudo bem…”

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