Melhores Filmes em Cartaz (atualizado constantemente)

1) “Dor e Glória”: Almodóvar, finalmente, está de volta. 16 anos após realizar seu último grande filme (“Má Educação”), o gênio reacessa seus grandes momentos na carreira. Antonio Banderas – bem como protagonista, porém não brilhante para merecer o prêmio conquistado em Cannes – vive uma espécie de alter ego do diretor, com o início de sua velhice remetendo às deliciosas memórias de sua infância. A relação com sua mãe, os primeiros instantes de seus desejos homossexuais, o início de seu amor pela arte e pela intelectualidade. Antimaniqueista de ponta a ponta, a biografia do cineasta atravessa seu vazio atual, suas somatizações e sua solidão, bem como suas deliciosas lembranças, e seu potencial de vitalidade. Mais do q uma exposição dos bastidores do Cinema, o filme aborda o cotidiano comezinho, criativo e também às vezes simplório de uma pessoa comum, apesar de sua genialidade. Se não atinge seu ápice (a obra-prima “Fale com Ela”), Almodóvar chega perto disto, com este retorno magistral a si mesmo.

2) “O Bar Luva Dourada”: Incrível. Pesadíssimo, especialmente nos primeiros 15 minutos. O filme não aborda os assassinatos de um psicopata com glamour, nem a investigação ou perseguição policial. A história é sobre o submundo do protagonista e das vítimas, em especial no tal bar e na casa do serial killer. Atuação magistral de Jonas Dassler, digna de todos os prêmios possíveis (após verem o filme, vale conferir o rosto do ator, como se transformou). O diretor Fatih Akin (do maravilhoso “Tschick”) expõe a sujeira física e emocional dos personagens em seu cotidiano, bem pr’além das mortes, transmitindo à perfeição cada detalhe, quase até o cheiro dos lugares. Atmosferas de tensão, medo, indiferença e até humor negro são mostradas brilhantemente, pelo trabalho de altíssimo nível dos atores coadjuvantes, criando personagens marcantes, inesquecíveis. cinema da mais alta qualidade, pra quem tiver estômago.

3) “Estou me Guardando para quando o Carnaval Chegar”: Excelente! A direção de Marcelo Gomes (da obra-prima “Cinema, Aspirinas e Urubus”) extrai arte pura de cada detalhe da cidade de Toritama, interior de Pernambuco. O crescimento da cidade é filmado à perfeição, através do processo de consecução de jeans, produto responsável por uma revolução ali. Onde antes tudo era rural – agricultura e pecuária de subsistência -, agora são trabalhadores, a maioria autônomos ou ganhando por bônus de produtividade. Em q pese a óbvia crítica às explorações do Capitalismo, os personagens deste doc assumem suas escolhas, e ainda circulam todo o ganho no sonho do Carnaval nas lindas praias de Alagoas. Imperdível.

4) “Rocketman”: Bom. A intensa e tocante história do pop star Elton John, realizada com momentos clichês hollywoodianos, e alguns toques artísticos pela direção.

5) EXTRAS IMPERDÍVEIS:
5.1) “Uma Noite de 12 Anos” (na Mostra “Finalistas do Grande Prêmio de Cinema Brasileiro”)

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FESTIVAL 2017 (Dicas por estrear)

Aqui vão os destaques de todos os filmes a q assisti neste Festival do Rio 2017, começando pelos q mais me impactaram:

1) “Tschick”: O melhor de todos a q assisti no Festival, obra-prima. Lembra o excelente “Micróbio & Gasolina” de Michel Gondry, só q ainda melhor. Ótimas atuações, direção de grande qualidade artística de Fatih Akin (do excelente “Contra a Parede”), ritmo sustentado do início ao fim, mantém o espectador sorrindo de ponta-a-ponta. Imperdível!

2) “Direções”: Ótimo. Histórias paralelas de alguns taxistas, em esquetes emendados. Tensões, agressividade, violência, como um “Relatos Selvagens” sem a parte do humor negro. No pano de fundo, a falência socioeconômica da Bulgária atual.

3) “Rastros”: Muito bom! O filme passeia por alguns gêneros – policial, suspense, drama, político -, com boa fluidez e bela fotografia. Assassinatos de pessoas e animais numa pequena e congelada cidade polonesa intrigam a protagonista, uma senhora solitária idealista e bastante excêntrica. Machismo e caça ilegal são os vilões da trama, combatidos por 3 personagens supostamente fracos, numa criativa surpresa ao final da história, costurada como fábula romântica. Otimismo e ludicidade ingênua à la “Amélie Poulain”.

4) “Em Pedaços”: O diretor cult Fatih Akin (da obra-prima “Tschick” e do excelente “Contra a Parede”) traz uma história contundente de uma mulher – Diane Kruger, Cannes de melhor atriz por este filme -, q perde marido e filho num ataque à bomba. A trama é bem desenvolvida, porém não apresenta grandes novidades. A parte realmente interessante do filme é a angústia da protagonista em como encaminhar sua dor/indignação: suicídio? Homicídio? Apostar no caminho jurídico?

5) “Ensiriados”: Ótima trama sobre uma família sitiada em sua própria casa, situada num epicentro momentâneo da guerra na Síria. Saindo, tendem a ser baleados; ficando, seriam roubados, estuprados. Tensão máxima, muito bem apresentada. O único senão reside nas toscas decisões dos moradores, parcialmente compreensíveis por conta da óbvia pressão das contingências. A relação dos personagens com a protagonista – extremamente obsessiva e autoritária -, é muito bem representada.

6) “Uma Família”: Pesada trama sobre um “casal” q mora junto e aluga ilegalmente a barriga da mulher para casais q não podem engravidar. Aos poucos, o espectador é conduzido para dentro da angústia da mulher, desamparada, buscando um provedor de afeto. Um dos grandes pontos positivos do filme é a capacidade do diretor italiano de transmitir a tensão constante, os riscos, a dependência emocional, amor e ódio. Precioso nas sutilezas subjetivas, bem como na composição dos personagens.

7) “Thirst Street”: Muito bom. A personagem principal (Gina) faz alusão – talvez intencional – a “Gelsomina” (em “A Estrada da Vida”, de Fellini) e a “Macabéa” (no livro “A Hora da Estrela”, de Clarice Lispector, também filmado). Mulheres sofridas, submissas, ingênuas e sonhadoras. A atmosfera interna e externa de uma menina em corpo de adulta, pueril ao extremo. Aos poucos, sua sanidade colapsa, com traços da personagem de Audrey Tautou em “Bem me Quer, Mal me Quer”.