Melhores filmes em cartaz (atualizado constantemente)

1) “Arábia”: Maravilhoso. Sensibilidade ímpar. A vida de um trabalhador lutando, a cada dia, por sobrevivência (um lugar para dormir e algo pra comer, literalmente). As condições miseráveis, a falta de direitos trabalhistas, a falta de perspectivas, a ingenuidade quanto à vida, a falta de vínculos fortes e, principalmente, a falta de um olhar para si, de um processo de subjetivação. Ao receber a sugestão de escrever sobre si, este processo é inaugurado. Após “perder” a única pessoa q amou (não conseguem sustentar certa morte), o protagonista mergulha numa melancolia sem retorno. Ao final, a frase do filme: “Parei de ouvir o barulho das máquinas, e então ouvi meu coração pela primeira vez.” Preciso, tocante e imperdível, o melhor filme brasileiro deste ano.

2) “O Insulto”: Obra-prima. Um incidente banal entre 2 homens (um cristão e um palestino) é vivido como insulto por um deles, e a neurótica questão acaba tomando proporções inimagináveis, expondo as gigantescas feridas político-religiosas no cotidiano do Líbano. O diretor Ziad Doueiri monta a história à perfeição, transmitindo o clima de progressiva tensão e a perda dos objetivos iniciais da contenda. Excelentes atuações, discussão complexa colocada de forma sofisticada pela direção. Merecia o Oscar de Filme Estrangeiro.

3) “A Amante”: Muito bom. A história de um homem depressivo e deserotizado prestes a se casar com uma bela mulher q mal conhece. Descontente com seu emprego, com sua relação infantilizada com sua mãe e com sua vida como um todo, assiste a um show tosco de dança, onde se encanta com uma mulher. A poucos dias do seu casamento, começa a questionar todos os sentidos de sua vida.

4) “Severina”: Muito bom. Coprodução Brasil/Uruguai sobre uma jovem mulher q rouba livros de uma livraria, até q o dono se interessa por ela. A beleza, charme e infantilidade num todo de sedução histérica (por vezes levemente perversa) tornam-se irresistíveis. Apesar desse universo colorir a vida do livreiro, a mulher é ainda “apenas” função de sonhar (será eternamente assim?), não é mulher por inteiro.

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