Séries Diferenciadas (Netflix e outras)

Pra não dizer q não falei de séries…
Aqui sim, a Netflix apresenta conteúdo de valor. Os critérios q uso para ver uma série são:

A) Quantas séries têm o mesmo nível de um excelente filme? Raríssimas, na minha opinião. Ao menos por enquanto… Este critério vale para sempre optar pelos filmes. Porém, é claro q há momentos em q queremos um mergulho mais ágil, onde podemos interromper a qualquer momento, diariamente. Sinal dos tempos, inevitável. Daí outros critérios merecem espaço, na escolha de uma boa série.

B) Atores de alto nível, independentemente de serem conhecidos ou não. Diferentemente de um filme, onde as atuações não são necessárias (Star Wars, por exemplo, é um roteiro imortalizado, com praticamente todos os atores fracos), nas séries é um critério central, pois acompanharemos aqueles personagens por um período longo e, geralmente, com a trama girando em torno deles.

C) Enredos q não tentem segurar o espectador com idas e vindas previsíveis, circulares. A sensação de “novela” (no pior sentido do termo, pois “Roque Santeiro”, por exemplo, não utilizava estes subterfúgios fáceis) não pode existir. Pode ser uma saga, mas não um constante enxerto de pseudo-dramas. Ou seja, cada capítulo, ou temporada, deve realmente fazer diferença.

D) O tema deve ter algum interesse prévio. Aqui, o critério é ainda mais singular, obviamente.

Dito isto, listo apenas algumas séries, quase todas na Netflix (sendo “Black Mirror” a única hors concours):

1) “Black Mirror”: Obra-prima! Cada episódio, ou temporada, não tem nenhuma ligação direta com os outros, salvo o fio condutor de um “espelho negro” de nosso futuro. Sugiro começar pelo episódio 3 da primeira temporada, pois os dois anteriores não são tão interessantes (algo raro nesta série). Destaque para “Nosedive”, o melhor de todos. Seriado duro, plausível, e extremamente inteligente. Arte pura, imperdível.

2) “Friends”: Um clássico, muito antes da “era das séries”. Diálogos brilhantes, personagens perfeitos, história redonda.

3)* “Game of Thrones”: Legiões de fãs pelo mundo, avaliando cada detalhe com muito amor e ódio. Sem dúvida, para quem gosta do gênero, é uma obra de arte. Da “HBO”, ver no “Now”.

4) “El Marginal – O cara de fora”: Grata surpresa. O ambiente de um presídio, maravilhosamente criado, com personagens extremamente interessantes, vividos por excelentes atores. Pesado apenas em alguns instantes, linguagem machista típica daquele microcosmo, porém nada descredencia a história muito bem montada, com diálogos memoráveis, humor ácido, disputas de poder realistas. O diretor consegue q todos os personagens fiquem gravados em nossa memória, algo raríssimo.

5) “Narcos”: Personagens reais, trazendo uma versão da história recente na Colômbia e no México. Dinâmica, entremeando com cenas de telejornais à época.

6) “Dark”: Roteiro bastante complexo, com idas e vindas cronológicas articuladas com inteligência, a ponto de dificultar um pouco no início a discriminação de cada personagem.

7) “Vikings”: Produzida pelo “History Channel”, inspirada em fatos reais, uma aventura interessante, antimaniqueísta, sem nenhum personagem bonzinho.

8) “13 Reasons Why”: Tirou o tema do suicídio da obscuridade. Não é brilhante, mas tem o mérito de fazer pensar e colocar as gerações familiares em debate.

9) “Atypical”: Quase todos os atores estão excelentes, numa trama familiar em torno de um personagem autista. Tem algo novelesco, mas vale conferir.

10)* “American Horror Story”: Apenas para os fãs de horror e suspense. Cada temporada é independente das outras (nem todas são boas), destaque para as temporadas 2 e 6. Tem na “Claro Vídeo”.

Dicas pra quarentena no Netflix

Abstinentes de Cinema, restam-nos algumas opções, sendo a Netflix a mais rapidamente acessada. O grande problema é q esta é uma plataforma muito boa para séries, porém muito fraca para filmes, especialmente os considerados “de arte”. Buscando as boas exceções, eu quis ocupar um tempo selecionando-as para quem se interessar.
Aqui vão, sem ordem de preferência, e misturados os hollywoodianos com os mais diferenciados:

– “Assunto de Família”: Excelente!! Sensibilidade ímpar, beleza rara. O retrato de uma “família”, onde o afeto é o protagonista, e os adultos ensinam “o q sabem”, para além das óbvias implicações educacionais para as crianças. Muito para além do maniqueísmo do politicamente correto, o grande diretor japonês Hirokazu Kore-Eda (do duríssimo e também excelente “Ninguém Pode Saber”) apresenta um drama inequivocamente comprometido com as verdades do submundo da miséria, as leis do cotidiano q vive a despeito de políticos, policiais e assistentes sociais. A transgressão aqui corresponde não apenas ao risco, a um posicionamento na contracultura, ou a uma glamourização do poder vivenciado pelo transgressor, mas sim a uma saída pró-Eros, uma resistência sem retóricas, uma assunção do afeto como lei central, custe o q custar (como a discussão de Almodóvar em “Fale com Ela”). Atuações brilhantes, imperdível. Ver mais no post “Só o Afeto Interessa (‘Assunto de Família’)”, no blog “psicanalisenocinema.com”.

– “O Poço”: Ótima discussão, roteiro simples e muito interessante. Na mão de um Aronofsky, ficaria uma obra-prima.

– “O Cidadão Ilustre”: Obra-prima. Os diretores argentinos acertaram de ponta a ponta: construção de roteiro perfeita, argumento consistente, tensão crível, humor ácido e inteligente, e atuação impecável do excelente protagonista Oscar Martínez. Brilhante.

– “XXY”: Maravilhoso filme sobre uma adolescente hermafrodita. Sensibilidade rara. Ricardo Darín, como sempre, ótimo.

– “A Noite de 12 Anos”: Emocionante! A história real de José Mujica e outros 2 companheiros de militância contra a ditadura uruguaia, presos e torturados por mais de 1 década. As condições de sobrevivência física e emocional são postas em detalhes, especialmente os episódios psicóticos – alucinações e delírios – do protagonista, q mais tarde se tornaria presidente do país. Na sessão a q assisti, a plateia aplaudiu gritando “Bravo!”, a ponto do segurança ir conferir se era briga. Imperdível.

– “El Pepe”: Doc sobre Mujica, pra quem se interessa pela história não maniqueísta do líder uruguaio.

– “O Som ao Redor”: Obra-prima máxima de Kleber Mendonça Filho. O olhar sensível sobre o entorno (o real protagonista do filme) é extremamente singular.

– “Estou me Guardando para quando o Carnaval Chegar”: Excelente! A direção de Marcelo Gomes (da obra-prima “Cinema, Aspirinas e Urubus”) extrai arte pura de cada detalhe da cidade de Toritama, interior de Pernambuco. O crescimento da cidade é filmado à perfeição, através do processo de consecução de jeans, produto responsável por uma revolução ali. Onde antes tudo era rural – agricultura e pecuária de subsistência -, agora são trabalhadores, a maioria autônomos ou ganhando por bônus de produtividade. Em q pese a óbvia crítica às explorações do Capitalismo, os personagens deste doc assumem suas escolhas, e ainda circulam todo o ganho no sonho do Carnaval nas lindas praias de Alagoas. Imperdível.

– “Com Amor, Van Gogh”: Excelente! 100 pintores desenharam esta obra, contando a história real e as especulações sobre a morte de Van Gogh. O estilo de pintura é como se o próprio artista tivesse realizado esta animação; além disso, a história é ambientada nos cenários dos quadros do holandês. Extremamente triste, o filme enfatiza a solidão e a culpa crônicas de Van Gogh. Imperdível.

– “A Senhora da Van”: Maravilhoso. Um tratado brilhante sobre errância psicótica. Atuações SOBERBAS dos 2 protagonistas Maggie Smith e Alex Jennings. O filme e os atores mereceriam todos os prêmios possíveis. Direção irretocável de Nicholas Hytner. Imperdível!

– “Elena”: Obra-prima de máxima sensibilidade de Petra Costa, a melhor diretora brasileira da atualidade. Filme radicalmente autoral, para além de ser um doc autobiográfico. O atravessamento de sua dor pela perda da irmã Elena é vivido visceralmente, sem concessões, até q possa, enfim, voltar a respirar. Petra filma à perfeição, tanto dor, quanto amor, melancolia (da mãe) e a própria sublimação de seu fantasma.

– “Cinema, Aspirinas e Urubus”: Obra-prima de Marcelo Gomes, com João Miguel brilhante, como sempre.

– “Brilho Eterno de uma Mente sem Lembranças”: Obra-prima em metalinguagem sobre a dor da desilusão amorosa. Os “significantes” ressaltados pelo amor vão, pouco a pouco, sendo dissecados e dilacerados, num réquiem do esvaziamento de uma paixão. A metáfora de uma “máquina de apagamento de lembranças específicas” atende à perfeição aos anseios desesperados de corações em chamas pelo desterro da mansão de um relacionamento. O inacreditável roteiro (de Charlie Kaufman, Michel Gondry e Pierre Bismuth) transmite cada instante da relação – aproximação, empolgação, tédio, ódio e indiferença – em idas e vindas no tempo (impecavelmente conduzidas pelo diretor Michel Gondry), sem perder a consistência e o fio narrativo. Destaque para a cena de incrível precisão metapsicológica a personagem de Kate Winslet diz ao de Jim Carrey: “Esconda-se atrás de sua maior vergonha. É o lugar mais difícil de vc ser encontrado.” Oscar de Roteiro Original.

– “Olmo e a Gaivota”: Praticamente uma obra-prima. Após estrear na direção com o incomparável “Elena”, Petra Costa consolida seu lugar no cenário mundial com este “semi-documentário” – todo falado em francês. Sempre consistente, o filme emociona progressivamente até seu ápice, num belo e singelo acabamento.

– “A Grande Aposta”: Ótimo, bem acima das expectativas, para um filme tão hollywoodiano. Christian Bale, um dos melhores atores do mundo, protagoniza uma aula de história e economia com excelentes pitadas de ironia – lembrando um pouco “Super Size Me” – dirigida à estupidez do americano típico, para além de seu “nível social”. A fanfarronice fálica dos americanos é levada às raias do patético. Steve Carell está magistral em sua atuação. Merecia o Oscar de Melhor Filme.

– “Invocação do Mal”: Ótimo. Pra quem gosta do gênero terror/suspense, James Wan é o melhor diretor da atualidade. Seu toque garante sustos e entretenimento de qualidade a todas as histórias q pega.

– “Prenda-me se For Capaz”: Maravilhoso. DiCaprio e Tom Hanks dançam numa alegoria sobre a perversão errante.

– “Moonlight”: Incrível. Denso nas discussões sobre a solidão do protagonista, complexo na construção de sua homossexualidade, abrangente no mérito de usar uma linguagem palatável até mesmo ao limitado e viciado universo hollywoodiano. De grande qualidade artística, atuações excelentes, fotografia precisa. Destaque para a belíssima cena final, desde q o protagonista tira sua dentadura dourada, até encostar no peito de seu amigo/paixão.

– “Divertida Mente”: Uma das melhores animações de todos os tempos. Filme para adultos, com um roteiro brilhante.

– “Monty Python”: Todos obras-primas para se rever. Considero o melhor humor de todos os tempos.

– “Frida”: Atuação inesquecível de Salma Hayek. Trilha sonora das melhores de todos os tempos.

– “A Origem”: Obra-prima de Christopher Nolan, sempre com as distorções temporais como núcleo temático.

– “O Poderoso Chefão”: Eternamente delicioso para se rever.

– “Forrest Gump”: Obra-prima. Fábula sobre a psicose errante. Versão hollywoodiana de “Zelig”, de Woody Allen.

– “Sociedade dos Poetas Mortos”: Clássico inesquecível, hiper sensível. Papel-mor de Robin Williams.

– “O Profissional”: Excelente policial de Luc Besson sobre um matador profissional (Jean Reno), sem sentimentos ruins, nem bons (perversão errante), até conhecer uma menina (Natalie Portman).

– “Eu, Daniel Blake”: Muito bom. O filme começa excelente, expondo o drama de um senhor recém infartado, preso nos bizarros corredores de uma burocracia kafkiana – não pode trabalhar, nem receber seu auxílio do governo. Flertando com a fome, o frio, a agressão e a loucura, o protagonista agoniza sempre numa fleuma britânica. Do meio pro final, o diretor Ken Loach resvala no melodrama e perde um pouco a mão de sua obra, uma espécie de “relato selvagem” novelesco.

– “Pulp Fiction”: Clássico Tarantino, estética ímpar.

– “O Filme da Minha Vida”: Ótimo! O filme começa apenas ok, cresce muito ao longo da projeção, até encerrar com maestria. Selton Mello (de “O Cheiro do Ralo”), o melhor ator do país, vai muito bem como diretor (como em “O Palhaço”), ainda q naturalmente possa evoluir nesta função. Ótimas frases, atuações em muito bom nível, destaque para o personagem do próprio Selton.

– “Senhor dos Anéis”: Obra-prima de referência para todos os amantes do gênero.

– “Seven”: Ótimo suspense/policial.

– “Um Dia a Casa Cai”: Humor leve e despretensioso.

– “Curtindo a Vida Adoidado”: Clássico dos anos 80, outra comédia leve.

– “Dia de Treinamento”: Para quem deseja um filme de ação e adrenalina, despretensioso e bom.

– “Gênio Indomável”: Hollywoodiano, com Robin Williams e Matt Damon.

– “Up – Altas aventuras”: Ótima animação, super sensível.

FESTIVAL DO RIO 2019 (Dicas por estrear)

Aqui vão os destaques de todos os filmes a q assisti neste Festival do Rio 2019, começando pelos q mais me impactaram (os que já entraram no circuito, eu excluí):

1) “O que Arde”: Obra-prima impressionante do diretor francês Oliver Laxe. Atuações irretocáveis de um personagem ex-detento (incendiário) e sua mãe, moradores da Galícia, interior da Espanha. Fotografia perfeita, relações de uma eloquência silenciosa e extremamente sensível entre eles e com o entorno. O interior da casa, os animais e a fazenda, os moradores do vilarejo, todos são representados através de um olhar singelo no nível do melhor do cinema mundial da atualidade. O filme do ano. Prêmio do Júri na mostra Un Certain Regard no Festival de Cannes 2019.

2) “O Diabo Está entre as Pernas”: Ótimo. Fotografia e atuações incríveis, drama e humor bem entrelaçados. 3 pessoas “vivendo” numa melancolia crônica, com traços e fetiches perversos. A sexualidade na 3a idade é muito bem apresentada.

3) “O Primeiro Adeus”: Sensível e primoroso. No desértico noroeste da China, famílias vivem em condições precárias, porém bastante unidas. Os protagonistas – crianças em torno de 10 anos de idade – insistem em brincar, apesar das responsabilidades precoces.

4) “O que Vão Dizer”: Bom. Drama de choque de culturas de uma menina paquistanesa vivendo na Noruega. A “ocidentalização” e o estilo transgressor de seus comportamentos impõem punições definitivas.

Os Melhores Filmes de 2019

Como já coloquei noutros textos deste blog, sempre resisti à ideia de fazer este tipo de lista dos “melhores”. Achava q isso não serviria para praticamente nada, apenas um exercício de vaidade pública. Mudei de ideia, hj penso q pode ser apenas uma troca de experiências e sensações, prazerosa e despretensiosa.

Listar os melhores filmes sempre provoca justos questionamentos, como: “Faltou tal filme!!”. Enfim, só o q sempre resta é fazer algo pessoal. Então, o critério aqui será: os 12 q mais me <strong>afetaram</strong>, <strong>impactaram</strong>. Não vou discutir aspectos técnicos, nem qualidade artística do diretor ou das atuações, especificamente. Tudo ficará incluído nesta categoria escolhida, nomeada “afetação/impacto/atravessamento”. Também não vou me preocupar caso a data exata de lançamento fora do Brasil for de um ano anterior. Por último, “Por que 11 filmes e não 10, ou 15?”: pq este número acabou sendo resultado dos q não consegui excluir. Os restantes q também adorei estão na Grande Lista (ler mais no post <strong>”Grande Lista de Filmes (atualizada constantemente)”</strong>, aqui neste blog.

Sem mais delongas, aqui vão os 11, em ordem de afetação:

1) “Coringa”: Obra-prima, o melhor filme do ano. Coringa poderia ser qualquer cidadão, um João Ninguém sonhador. Mas, para além dos enormes ganhos comerciais, propor um anti-herói q poderia ter sido irmão bastardo do Batman coube bem enquanto alegoria. O poder ilimitado invoca os excessos, de ódio, desprezo, arrogância. A onipotência de um milionário instiga a onipotência reativa de um oprimido. “Jogos de poder”, diria Foucault. Joaquin Phoenix atua à perfeição (já merecia um Oscar desde o maravilhoso “Ela”), e a direção e roteiro de Todd Phillips azeitam cada detalhe, evidenciando q um filme hollywoodiano pode ser pura arte.

2) “Assunto de Família”: Excelente!! Sensibilidade ímpar, beleza rara. O retrato de uma “família”, onde o afeto é o protagonista, e os adultos ensinam “o q sabem”, para além das óbvias implicações educacionais para as crianças. Muito para além do maniqueísmo do politicamente correto, o grande diretor japonês Hirokazu Kore-Eda (do duríssimo e também excelente “Ninguém Pode Saber”) apresenta um drama inequivocamente comprometido com as verdades do submundo da miséria, as leis do cotidiano q vive a despeito de políticos, policiais e assistentes sociais. A transgressão aqui corresponde não apenas ao risco, a um posicionamento na contracultura, ou a uma glamourização do poder vivenciado pelo transgressor, mas sim a uma saída pró-Eros, uma resistência sem retóricas, uma assunção do afeto como lei central, custe o q custar (como a discussão de Almodóvar em “Fale com Ela”). Atuações brilhantes, imperdível. Ver mais no post “Só o Afeto Interessa (‘Assunto de Família’)”, aqui neste blog.

3) “Dor e Glória”: Almodóvar, finalmente, está de volta. 16 anos após realizar seu último grande filme (“Má Educação”), o gênio reacessa seus grandes momentos na carreira. Antonio Banderas – bem como protagonista, porém não brilhante para merecer o prêmio conquistado em Cannes – vive uma espécie de alter ego do diretor, com o início de sua velhice remetendo às deliciosas memórias de sua infância. A relação com sua mãe, os primeiros instantes de seus desejos homossexuais, o início de seu amor pela arte e pela intelectualidade. Antimaniqueista de ponta a ponta, a biografia do cineasta atravessa seu vazio atual, suas somatizações e sua solidão, bem como suas deliciosas lembranças, e seu potencial de vitalidade. Mais do q uma exposição dos bastidores do Cinema, o filme aborda o cotidiano comezinho, criativo e também às vezes simplório de uma pessoa comum, apesar de sua genialidade. Se não atinge seu ápice (a obra-prima “Fale com Ela”), Almodóvar chega perto disto, com este retorno magistral a si mesmo.

4) “O Bar Luva Dourada”: Incrível. Pesadíssimo, especialmente nos primeiros 15 minutos. O filme não aborda os assassinatos de um psicopata com glamour, nem a investigação ou perseguição policial. A história é sobre o submundo do protagonista e das vítimas, em especial no tal bar e na casa do serial killer. Atuação magistral de Jonas Dassler, digna de todos os prêmios possíveis (após verem o filme, vale conferir o rosto do ator, como se transformou). O diretor Fatih Akin (do maravilhoso “Tschick”) expõe a sujeira física e emocional dos personagens em seu cotidiano, bem pr’além das mortes, transmitindo à perfeição cada detalhe, quase até o cheiro dos lugares. Atmosferas de tensão, medo, indiferença e até humor negro são mostradas brilhantemente, pelo trabalho de altíssimo nível dos atores coadjuvantes, criando personagens marcantes, inesquecíveis. cinema da mais alta qualidade, pra quem tiver estômago.

5) “Um Dia de Chuva em Nova Iorque”: Mais uma obra-prima de Woody Allen, um dos maiores diretores de todos os tempos. Como em seus melhores filmes, seu roteiro e suas frases são “simples” e brilhantes. As reviravoltas amorosas, o antimaniqueísmo são marcas constantes, desconstruindo os valores relacionais culturalmente viciados. Gostem dele ou não, só não é aceitável q se reduza sua filmografia a uma única forma de narrativa (vide “Zelig”, “Tudo que Você sempre Quis Saber sobre Sexo mas Tinha Medo de Perguntar”, “Poderosa Afrodite”, etc).

6) “Entardecer”: Brilhante. Uma complexa rede de mistérios acerca do passado de uma mulher, na Budapeste nos anos anteriores à Primeira Guerra. Câmera brilhantemente grudada em seu olhar, refletindo o absurdo e o vazio de informações à sua volta. A protagonista funciona como um fantasma para todos, como se estivesse num mundo paralelo, e vice-versa. Num misto de “O Homem sem Passado” (Kaurismäki) com “O Anjo Exterminador” (Buñuel), o diretor alcança um raro resultado q provoca reações de drama, suspense e policial no espectador. Impressionante.

7) “O Anjo”: Maravilhoso! Um thriller policial construído magistralmente pelo diretor e roteirista Luis Ortega. Na linhagem dos inesquecíveis “Butch Cassidy” e “Bonnie & Clyde”, o filme narra a trajetória de um doce e perverso (no sentido psicanalítico) jovem ladrão, numa escalada de roubos e ocasionais violências. Pasolini teria se apaixonado por este ator/personagem, de sexualidade quase tão aberta e sedutora quanto no clássico “Teorema”. Divertido, intenso, consistente, redondo. Imperdível.

8) “Ayka”: Pesadíssimo e excelente. O trágico e hiper realista cotidiano de uma imigrante cazaque na Rússia, logo após abandonar seu filho recém-nascido. Em q pese 1 ou 2 exageros (obscenidades realísticas), a lucidez é convocada sem perdão. Para os espectadores mais disponíveis à crueza da miséria. Um dos melhores filmes do ano.

9) “Estou me Guardando para quando o Carnaval Chegar”: Excelente! A direção de Marcelo Gomes (da obra-prima “Cinema, Aspirinas e Urubus”) extrai arte pura de cada detalhe da cidade de Toritama, interior de Pernambuco. O crescimento da cidade é filmado à perfeição, através do processo de consecução de jeans, produto responsável por uma revolução ali. Onde antes tudo era rural – agricultura e pecuária de subsistência -, agora são trabalhadores, a maioria autônomos ou ganhando por bônus de produtividade. Em q pese a óbvia crítica às explorações do Capitalismo, os personagens deste doc assumem suas escolhas, e ainda circulam todo o ganho no sonho do Carnaval nas lindas praias de Alagoas. Imperdível.

10) “Três Faces”: Excelente! Uma aula sobre histerias (Freud), através do olhar extremamente sensível do aclamado e perseguido político Jafar Panahi. O diretor e protagonista viaja com uma amiga atriz em busca de uma jovem admiradora desta, q teria tentado suicídio. Intenso e divertido, leve e verdadeiro, tudo ao mesmo tempo. Aula de cinema.

11) “White Boy Rick”: Excelente! A história real de um jovem de 15 anos q se torna informante da polícia federal americana, infiltrado numa gangue de traficantes de drogas. Intenso e atuado de forma brilhante pelo garoto (Richie Merritt) e seu pai (o fora-de-série Matthew McConaughey).

Melhores Filmes em Cartaz (atualizado constantemente)

1) “Coringa”: Obra-prima, o melhor filme do ano. Coringa poderia ser qualquer cidadão, um João Ninguém sonhador. Mas, para além dos enormes ganhos comerciais, propor um anti-herói q poderia ter sido irmão bastardo do Batman coube bem enquanto alegoria. O poder ilimitado invoca os excessos, de ódio, desprezo, arrogância. A onipotência de um milionário instiga a onipotência reativa de um oprimido. “Jogos de poder”, diria Foucault. Joaquin Phoenix atua à perfeição (já merecia um Oscar desde o maravilhoso “Ela”), e a direção e roteiro de Todd Phillips azeitam cada detalhe, evidenciando q um filme hollywoodiano pode ser pura arte.

2) “O Farol”: Obra-prima, soberbo. Muito superior ao seu filme anterior (“A Bruxa”, muito bom, mas com problemas), o diretor aqui entra para o grupo de grandes da atualidade. Inspirado no noir hiper claustrofóbico de Ingmar Bergman, com pássaros de Hitchcock, entre outras referências, Robert Eggers conduz o brilhante Willem Dafoe e o aqui muito bom Robert Pattinson num erotismo pré-sexual à iminência de um ataque de nervos. O suspense psicológico, com micro toques de fantasia, acerta de ponta a ponta. Premiado na Semana da Crítica em Cannes 2019.

3) “Um Dia de Chuva em Nova Iorque”: Mais uma obra-prima de Woody Allen, um dos maiores diretores de todos os tempos. Como em seus melhores filmes, seu roteiro e suas frases são “simples” e brilhantes. As reviravoltas amorosas, o antimaniqueísmo são marcas constantes, desconstruindo os valores relacionais culturalmente viciados. Gostem dele ou não, só não é aceitável q se reduza sua filmografia a uma única forma de narrativa (vide “Zelig”, “Tudo que Você sempre Quis Saber sobre Sexo mas Tinha Medo de Perguntar”, “Poderosa Afrodite”, etc).

4) “Uma Mulher Alta”: Excelente. Atuações soberbas, cenário primoroso. O diretor russo Kantemir Balagov constrói os personagens à perfeição, em meio a um esfacelamento emocional pós-2a Guerra. Sobrevivência, sexualidade, inibições, transgressões: um oceano de sutilezas marejadas pela fragmentação subjetiva imposta de forma generalizada.

5) “O Paraíso Deve Ser Aqui”: Excelente. O diretor e protagonista Elia Suleiman (da obra-prima “O que Resta do Tempo”) apresenta seu estilo único, tragicômico, contemplando silenciosamente cada micro absurdo do cotidiano das culturas da Palestina, Paris e Nova Iorque. Representante da Palestina no Oscar 2020, o q já é impressionante, e símbolo central da proposta do filme. Destaque para a cena das previsões das cartas para o futuro da Palestina. Menção Especial no Festival de Cannes 2019.

6) “Adam”: Excelente. O drama de uma mulher solteira, grávida e desempregada no Marrocos. Sua única chance seria abandonar sua família sem q descobrissem a gravidez, arrumar algum bico e qualquer moradia até q o bebê nascesse e doá-lo. Só assim poderia voltar a uma vida “digna” (tendo em vista os fortes preconceitos machistas daquela sociedade) e se casar “normalmente”. Para isto, tenta não se apegar ao filho q está para nascer. É acolhida por uma jovem viúva (envelhecida pelo luto e por seus sintomas obsessivos), com uma filha pequena. A leveza “histérica” (no sentido freudiano, não no sentido vulgar de gritaria ou descontrole) da visitante colore a melancolia acinzentada da anfitriã, sob mediação da resistência otimista da filha (alusão ao “bebê sábio” do grande psicanalista Sandor Ferenczi).

7) “Bacurau”: Ótimo! Os excelentes diretores Kleber Mendonça Filho (da obra-prima “O Som ao Redor”) e Juliano Dornelles realizam um filme com ação atípica no panorama nacional. Como nos filmes anteriores, Kleber revela sua maestria no cenário, na caracterização da cidade. Suas discussões políticas destacam o tom patético da demagogia do poder econômico (no caso, o prefeito), plenamente percebida pelo povo, q se posiciona enfaticamente. Frases como “Bacurau tem q pagar pra entrar no mapa do país?” denunciam os absurdos, bem como a resistência popular, dentro do possível (destaque para a importância do Museu de Bacurau, metáfora central no filme). As atuações estão ok, não brilhantes. As comparações com o estilo do Tarantino não me parecem tão precisas, pois apesar da violência e do humor negro, as propostas de cada um soam bastante diferentes. Prêmio do Júri no Festival de Cannes.

8) “Parasita”: Ótima alegoria sobre as enormes disparidades entre a burguesia e o proletariado. Uma família pobre q vive num porão infiltra-se aos poucos na casa de uma família rica. O diretor explora com bastante precisão, acidez e ironia a fragilidade da bolha da classe alta, através da necessidade de uma “indicação de confiança”, para contratar alguém para algum serviço em casa. Lentamente, o drama vai ganhando tons de suspense e tragédia, expostos através de uma grande enchente q evidencia ainda mais o absurdo das castas do nosso cotidiano.

9) “Os Miseráveis”: Muito bom. Thriller policial intenso, vencedor da Palma de Ouro em Cannes em 2019. Atuações excelentes, ambientação precisa sobre a miséria. No entanto, soa como um plágio de uma obra-prima chamada “O Ódio”, com Vincent Cassel. “Os Miseráveis” não chega perto da qualidade e da verossimilhança do outro filme. As trucagens forçadas e as soluções apressadas fazem a película perder qualidade. Ainda assim, vale o ingresso. Prêmio do Júri no Festival de Cannes 2019.

10) “Era uma Vez em… Hollywood”: Bom. Talvez seja o filme menos surpreendente e menos marcante de Quentin Tarantino, porém não deixa de trazer toques de cinema refinado, humor sátiro e belas atuações.

11) EXTRAS IMPERDÍVEIS:
11.1) “Cinema, Aspirinas e Urubus” (na Mostra “Festival do Rio – 20 anos”)

Só o Afeto Interessa (“Assunto de Família”)

Poucas vezes vemos no cinema um diretor conseguir ser totalmente preciso no q pretende transmitir, sem recorrer a panfletagens, ou a agressões retóricas ao sistema de pensamento oposto. O japonês Hirokazu Kore-Eda, em “Assunto de Família”, atingiu com plenitude este objetivo, com a eficácia de um atirador de elite. Refiro-me com isto à colocação do afeto como significante central no filme, como protagonista único.
Relembro a obra-prima máxima neste sentido, onde o fora-de-série Almodóvar contempla mais do q ninguém na História este intento, com o clássico “Fale com Ela”. Aqui, o enfermeiro “Benigno” sustenta a fé na recuperação de uma paciente em coma duradouro, cuidando de maneira indescritível ao olhar e à interpretação do senso comum. O “milagre” acontece através de um abuso sexual, demarcando a transgressão como uma decisão para além da suportabilidade social. Como disse certa vez uma pessoa muito querida, o transgressor passa a viver num eremitério (neologismo criado por ele mesmo), assumindo com isto todos os enormes custos desta decisão. Este eremita, portanto, morreu para o mundo. Não possui a esperança do retorno, não conta com a possibilidade de volta, portanto não se tornará música, como o “irmão do Henfil”, nem presidente, como José Mujica.
Aos transgressores aqui mencionados, apesar de “benignos”, só restará a morte, a prisão perpétua, o banimento social. Estarão “Presos do Lado de Fora”, como no poético livro da psicanalista Solal Rabinovitch sobre a Psicose. E eles sabem disso, como assume o personagem acusado de estupro na obra-prima “O Processo do Desejo”, de Marco Bellocchio. Aqui, nunca haverá amparo da Lei, nem resgate, ou grupo de oposição. No máximo, uma resistência ínfima pela Arte como um todo, não apenas o Cinema. Em mais um exemplo deste pequeno reduto do pensar, o filme “Una” discute os desdobramentos de um ato pedófilo, para além da condenação jurídica, socialmente justificada. A antes menina, agora mulher, necessita de uma costura própria de sua história, a ser realizada necessariamente com o pedófilo, após o tempo q este passa no presídio.
A questão, portanto, diz respeito à possibilidade de uma continuidade da discussão da humanidade, dos sentimentos, muito pr’além dos parâmetros criminais. “Vítima” e “algoz” representam funções e lugares sociais, sentimentos humanos, acontecimentos marcantes, “paisagens subjetivantes”. O processo de construção psíquica, sem fim, necessita de ampliação de parâmetros, de um não apaziguamento após uma condenação (justa ou não). O vilão mor da humanidade sempre será o maniqueísmo, terra eternamente fértil à mediocridade de todos nós.
Em “Assunto de Família”, como o próprio título discretamente sustenta, precisamos falar sobre afeto na intimidade. Não para condenar ou para absolver uma “família” q acolhe pessoas mal tratadas por seus pais biológicos, mas para denunciar o abandono social. A denúncia, aqui, recai sobre as “baratas no canto da parede”, onde nosso salto não alcança, apenas se cansa. A destruição psíquica de um abandono afetivo pode ganhar um pequeno alento nas leis de um outro cotidiano, onde outras leis se dão, onde uma outra vida acontece.
As denúncias proliferam recentemente no cinema, como nos excelentes “Cafarnaum” e “Ciganos da Ciambra”. Porém, “Assunto de Família” é mais preciso, para além de ser ou não melhor filme do q esses outros. Kore-Eda não se distrai, não trai seu propósito nem por um instante, não coloca relevo na estética da miséria, nem nos absurdos das leis constitucionais. O diretor, assim como os personagens, não abandona o afeto por nada, “não sai de si nem para pescar” (como diz o grande poeta Manoel de Barros).
O resultado diferencial? Um filme sereno. Uma extrema leveza num tema pesadíssimo como o abandono dos pais, ou a cegueira da sociedade. Uma calma q suplanta o poder das denúncias, q muitas vezes serve de alento à nossa solidão.
Não há apelações, esperança jurídica. Não haverá heroísmo redentor. Resta a silenciosa verdade interna. A história contada de nós para nós mesmos, a versão não compartilhada, vivida apenas na solitude. O demasiadamente humano de Nietzsche. Tristeza e alegria numa pacificada verdade própria, sem mediação. A vida na dor e na delícia do “desamparo fundamental” freudiano.

FESTIVAL 2018 (Dicas por estrear)

Aqui vão os destaques de todos os filmes a q assisti neste Festival do Rio 2018, começando pelos q mais me impactaram:

1) “A Queda do Império Americano”: O melhor de todos a q assisti no Festival, obra-prima do grande diretor Denys Arcand, completando a trilogia com “O Declínio do Império Americano” (1986) e “As Invasões Bárbaras” (2003). Sátira deliciosa sobre a ética e os ideais “americanos”, diante da tentação de enriquecer. Humor fino, ácido e extremamente inteligente. Imperdível.

2) “O Anjo”: Maravilhoso! Um thrillerpolicial  construído magistralmente pelo diretor e roteirista Luis Ortega. Na linhagem dos inesquecíveis “Butch Cassidy” e “Bonnie & Clyde”, o filme narra a trajetória de um doce e perverso (no sentido psicanalítico) jovem ladrão, numa escalada de roubos e ocasionais violências. Pasolini teria se apaixonado por este ator/personagem, de sexualidade quase tão aberta e sedutora quanto no clássico “Teorema”. Divertido, intenso, consistente, redondo. Imperdível.

3) “Angel Vianna – Voando com os pés no chão”: Extremamente tocante. A trajetória ímpar da grande bailarina, coreógrafa e professora de balé e dança contemporânea. Contado e dançado, este doc expõe de forma bastante sensível a biografia de Angel, em q pese alguns pequenos vícios de direção.

4) “Três Faces”: Excelente! Uma aula sobre histerias (Freud), através do olhar extremamente sensível do aclamado e perseguido político Jafar Panahi. O diretor e protagonista viaja com uma amiga atriz em busca de uma jovem admiradora desta, q teria tentado suicídio. Intenso e divertido, leve e verdadeiro, tudo ao mesmo tempo. Aula de cinema.

5) “White Boy Rick”: Excelente! A história real de um jovem de 15 anos q se torna informante da polícia federal americana, infiltrado numa gangue de traficantes de drogas. Intenso e atuado de forma brilhante pelo garoto (Richie Merritt) e seu pai (o fora-de-série Matthew McConaughey).

6) “El Motoarrebatador”: Ótimo. Dois ladrões de moto assaltam uma senhora, q, por não largar sua bolsa, acaba sendo arrastada pelos dois na moto. Após o fato, um deles se arrepende e tenta encontrar a senhora em algum hospital. Verdadeiro, sem recorrer a clichês ou pieguices, expõe as diferenças sociais de modo quase seco, além de antimaniqueísta.

7) “Kusama – Infinito”: Ótimo doc sobre Yayoi Kusama, uma das artistas mais importantes do mundo. Seus trabalhos sempre provocaram forte impacto social, por afrontarem preconceitos diversos (machismo, racismo, etc). Como vários outros artistas, sua psicose permite uma hiperdisponibilidade criativa, comumente inacessível à grande maioria dos neuróticos. Hoje vive num hospital psiquiátrico, saindo constantemente para trabalhar.

8) “Cafarnaum”: A incrível história de um menino de 12 anos q cuida dos irmãos, abandona os pais abandonadores para viver com refugiados e processa aqueles, para q não tenham mais filhos. Fortíssimo, tocante e real. Imperdível.

9) “A Casa que Jack Construiu”: Muito bom. Extremamente agressivo, como quase tudo q o cineasta Lars von Trier já realizou no cinema, porém um pequeno tom abaixo dos seus últimos filmes. Muito atento à mediocridade humana, ressalta com grande acidez suas raivas, preconceitos e desprezos, através de situações patéticas. Apesar de todo o niilismo do diretor, a qualidade artística é inegável.

10) “Guerra Fria”: A história de um músico e suas utopias, e uma cantora q vai de camponesa a celebridade. Durante as tensões do pós-guerra na Polônia stalinista, os dois conduzem suas carreiras, paixão e aprisionamentos políticos. O clássico, trágico e belo encontro de um obsessivo com uma histérica. Um Romeu e Julieta freudiano, muito bem filmado pelo diretor Pawel Pawlikowski, vencedor do prêmio em Cannes.